terça-feira, 5 de abril de 2016

O caminho de dentro pra fora é cheio de curvas. Obstáculos, redemoinhos. Ele dói, rasga, sai derrubando tudo no caminho. Pelo menos pra mim não tem sido uma dança. E por mais que o resultado possa ser gracioso, teve joelho ralado, corpo cansado e feridas nos pés. 
Porque é gostoso engatinhar pra dentro da sua própria casca. É tranquilo. Você faz isso sem perceber e quando vê já se afastou de todo mundo. Não fisicamente. Internamente você vai se encolhendo, guardando seus conectores como tentáculos pra dentro de você. E quando você vê já se guardou. O mundo tá lá fora e o aqui dentro é tão seu que não configura realidade.
Não existe nada de especial nesse processo. Todo mundo tá se escondendo de alguma forma. E isso não tem a ver com introspecção. Afinal somos bons atores. Qualquer um consegue representar o seu próprio papel, ainda mais na ilusão de que ele seja completamente seu. 

A leitura interna só existe porque existe um lado de dentro pra dentro e um lado de dentro pra fora. E a gente só consegue ler um de cada vez, mas eles dependem tanto um do outro que não temos como determinar em nós mesmo o começo e o fim, o rabo e a cabeça, dessa serpente gigante que é o nosso ser.

Sabendo desse lugar inóspito que se guarda do mundo com unhas e dentes mas ressente cada segundo disso, ressente a representação e quer se colocar pra fora, quer se colocar como real, urge por verdade.

Sair? Esse é um caminho não de vida, mas de eternidade. 

Essa é a leitura interna: compreender de dentro pra fora, na esperança de estar do lado de fora por breves momentos, mas de maneira real, honesta, verdadeira. 

Leitura Interna: 
Pensamentos e textos de Nadja Lopes.